Por muito tempo o jornalismo no rádio foi considerado a fonte de informações mais rápida e popular. A localidade e o caráter imediato das notícias (através da transmissão ao vivo), assim como a linguagem simples e direta dos locutores e repórteres fizeram com que, em pouco tempo, a sociedade referenciasse o rádio como um meio de grande credibilidade. A facilidade de produção de um jornal baseado na oralidade e a tecnologia capaz de levar informação para lugares longínquos proporcionaram a disseminação de conhecimento, informação, entretenimento e permitiram que os radiojornais atingissem parcelas da população distantes dos grandes centros.
Com a popularização da TV e posteriormente, o surgimento da Internet, a sociedade se deparou com uma maior propagação de notícias e uma diferente relação com o tempo. Imagens passaram a dar maior credibilidade aos fatos e a rapidez na comunicação passou a ser um mérito também da Internet, que, em pouco tempo, mudou hábitos e ditou costumes. Por conta disso, o radiojornalismo foi obrigado a se adaptar a uma nova realidade, composta agora pelo processo de convergência midiática e segmentação de informações.
Como uma das principais mudanças do radiojornalismo para adaptar-se a sociedade contemporânea, tem-se o aparecimento dos radiojornais na web, que apresentam segmentação de conteúdo e podem ser acessados a qualquer momento pelos internautas (ouvintes). Como afirma Magda Cunha (2004), a internet permitiu que se congelasse o tempo do rádio, já que o ouvinte pode fazer a sua própria programação, podendo escutá-la em qualquer lugar do mundo. Sendo assim, o radiojornalismo está indo no caminho inverso, pois, no passado, a programação ditava os hábitos de sua audiência, e hoje, para se ter audiência, precisa adaptar-se a uma sociedade de gostos e costumes cada vez mais fugazes.
O grande desafio da produção do radiojornalismo consiste, então, em utilizar a internet e a facilidade das novas tecnologias sem perder suas principais características. Atualmente, onde se pode encontrar grande número de podcasts publicados na rede, o radiojornalismo “tradicional” passou a se aprofundar em conteúdos específicos, seguindo a mesma linha das revistas e jornais, que usaram da segmentação para atingir públicos específicos e maiores.
Em suma, o radiojornalismo segmentou seus conteúdos e aumentou sua produção, utilizando a internet tanto para divulgação como meio de transmitir seus programas, entretanto, não deixou sua forma convencional de transmissão de lado, já que parte da população ainda utiliza o rádio (meio) como principal meio de comunicação. Portanto, o jornalismo radiofônico contemporâneo renasce com novos desafios e acaba com as especulações de que estaria perdendo espaço nas novas relações midiáticas.
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