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O radiojornalismo na sociedade contemporânea, por Igor Jandiroba

A busca pela notícia cada vez mais próxima e instantânea traz o jornalismo, até então impresso, para o rádio. Surge o radiojornalismo, derrubando barreiras, levando a informação de maneira rápida e democrática. Com o passar dos anos, a linguagem é aperfeiçoada e as antes matérias do jornal impresso, apenas lidas pelo locutor, se transformam em reportagens feitas especialmente para o rádio. A técnica evolui, mas a democratização permanece.

A principal característica do rádio é a sua proximidade do ouvinte. E é esse estar próximo que possibilitou a criação de um jornalismo propriamente radiofônico. Logo quando o rádio surgiu, o Brasil era um país de muitos analfabetos, cegos sociais, impossibilitados de conhecer verdadeiramente o que estava a sua volta. As notícias circulavam pelas grandes cidades debaixo dos braços de uma minoria rica e alfabetizada. O radiojornalismo surge se opondo a tudo isso, levando a noticia a todos, sem distinção.

O surgimento da televisão e seus telejornais não detiveram o poder das noticias radiofônicas, pelo contrário, elevou o seu caráter local. A TV leva o homem às notícias do mundo, o rádio o mostra o que acontece ao seu lado. Por isso a força do radiojornalismo, por isso a sua perdura.

Atualmente, o Brasil não é mais um país de analfabetos, porém, mais uma vez somos levados a presenciar uma mudança na forma de fazer e receber a notícia. Uma forma guiada e sustentada pela convergência digital através da internet. Assim como todo o jornalismo em si, o radiojornalismo torna-se palpável e por isso ainda mais democrático com a ascensão das mídias virtuais.

Hoje podemos ser mais do que ouvintes, somos participantes e transmissores dos acontecimentos, do regional ao mundial. Mágda Cunha discorre a cerca desse novo alcance do rádio: “Num período de tecnologia digital, o rádio soma a esta abrangência a possibilidade de transmissão de uma mesma mensagem de caráter local em esfera mundial. Um indivíduo pode criar sua emissora na internet, fazê-la falar para o mundo ou apenas para um grupo de pessoas.” (CUNHA, 2004, p.11)

A digitalização do meio radiofônico permitiu ainda um novo modo, não só de fazer, como de ouvir o rádio. A internet dotou-nos do poder de escolher quais notícias, por quanto tempo e por quantas vezes queremos ouvir, modificando completamente a nossa forma de interagir com a notícia. “O tempo de recepção não é mais o estabelecido pelos tradicionais produtores da informação, mas é construído pela audiência individualmente, de maneira personalizada... produzindo novos sentidos a um formato ao qual todos já estávamos acostumados.” (CUNHA, 2004, P. 18)

É inquestionável a importância do radiojornalismo tanto para as pequenas cidades, onde o caráter local é bastante significativo, quanto para os grandes centros, que hoje encontram também no rádio uma forma de conhecer e porque não, divulgar o mundo. Contradizendo várias afirmações a cerca do seu fim, o veículo radiofônico prova que é capaz de se adequar às mudanças da pós-modernidade, não como coadjuvante, mas participante ativo nessa nova era da informação.

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